21 julho 2018

Sífilis

Sinônimos: cancro duro

Sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum.

A sífilis é um mal silencioso e requer cuidados. Após a infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo da pessoa por décadas para só depois manifestar-se novamente.

Causas:

A sífilis é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum, que é geralmente transmitida via contato sexual e que entra no corpo por meio de pequenos cortes presentes na pele ou por membranas mucosas;

  • Transfusão de sangue;
  • Transplante de órgão,
  • Transmissão congênita sendo passada de mãe para filho durante a gravidez ou parto.

Só é contagiosa nos estágios primário e secundário e, às vezes, durante o início do período latente. Raramente, a doença pode ser transmitida pelo beijo.

Uma vez curada, a sífilis não pode reaparecer – a não ser que a pessoa seja reinfectada por alguém que esteja contaminado.

Fatores de risco:

Alguns fatores são considerados de risco para contrair sífilis:

Manter relações sexuais desprotegidas com uma ou mais pessoas;

Estar infectado com o vírus do HIV.

Sintomas:

A sífilis desenvolve-se em diferentes estágios, e os sintomas variam conforme a doença evolui. No entanto, as fases podem se sobrepor umas às outras. Os sintomas, portanto, podem seguir ou não uma ordem determinada. Geralmente, a doença evolui pelos seguintes estágios: primário, secundário, latente e terciário.

Sífilis primária

A sífilis primária é o primeiro estágio.Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. Não é possível observar as feridas ou qualquer sintoma, principalmente se as feridas estiverem situadas no reto ou no colo do útero. As feridas desaparecem em cerca de quatro a seis semanas depois, mesmo sem tratamento. A bactéria torna-se dormente (inativa) no organismo nesse estágio.

Sífilis secundária

A sífilis secundária acontece cerca de duas a oito semanas após as primeiras feridas se formarem. Aproximadamente 33% daqueles que não trataram a sífilis primária desenvolvem o segundo estágio. Aqui, o paciente pode apresentar dores musculares, febre, dor de garganta e dificuldade para deglutir. Esses sintomas geralmente somem sem tratamento e, mais uma vez, a bactéria fica inativa no organismo.

Sífilis latente – fase assintomática

Não aparecem sinais ou sintomas.

É dividida em sífilis latente recente (menos de um ano de infecção) e sífilis latente tardia (mais de um ano de infecção).

A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Sífilis terciária

Esta fase é caracterizada pela formação de gomas sifilíticas, tumorações amolecidas vistas na pele e nas membranas mucosas, mas que podem ocorrer em diversas partes do corpo, inclusive no esqueleto. Outras características da sífilis não tratada incluem as juntas de Charcot (deformidade articular), e as juntas de Clutton (efusões bilaterais do joelho). As manifestações mais graves incluem neurossífilis e a sífilis cardiovascular.

Sífilis congênita

Decorre da disseminação hematogênica do Treponema pallidum, da gestante infectada não tratada, ou inadequadamente tratada, para o seu concepto, por via transplantaria em qualquer fase gestacional ou estágio da doença

A sífilis congênita pode ser classificada em:

Recente: quando os sintomas aparecem nos primeiros dois anos de vida, sendo mais manifestos do primeiro ao terceiro mês.

Tardia: quando os sintomas aparecem a partir do segundo ano, ocasionando deformações de dentes, surdez, alterações oculares, dificuldades de aprendizagem, retardo mental.

A maioria dos bebês que nasce infectado não apresenta nenhum sintoma da doença. No entanto, alguns podem apresentar rachaduras nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Mais tarde, a criança pode desenvolver sintomas mais graves, como surdez e deformidades nos dentes.

Diagnóstico:

Antes do advento do teste sorológico (sorologia de lues ou VDRL – acrónimo inglês para laboratório de investigação de doença venérea), o diagnóstico era difícil e a sífilis era confundida facilmente com outras doenças. Hoje em dia, o VDRL é amplamente utilizado como exame de rastreio.

Após o estádio primário, algumas vezes negligenciado pelo paciente ou simplesmente associado como uma consequência natural pelo contato sexual (na falta de informações amplas sobre a doença), a sífilis entra na fase secundária. Dos pacientes tratados no estádio secundário, cerca de 25% deles não se lembram dos sinais do contágio primário. Nessa fase, diagnosticar a doença é extremamente difícil tanto para o paciente como para um médico.

Caso a sífilis não seja identificada no seu estádio primário (10 a 90 dias) ou no seu estádio secundário (1 a 6 meses, mas que também pode perdurar por anos na sua forma latente ou assintomática), a sífilis entra no estádio terciário. Nessa fase o diagnóstico é bem preciso mas várias sequelas podem advir da doença.

No Brasil, os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA's) permitem aos cidadãos realizar testes laboratoriais gratuitamente e receber informações e aconselhamento sobre as DSTs.

Exames de sangue

Os exames de sangue realizados para o diagnóstico da sífilis são divididos em não-treponêmicos e treponêmicos

Os exames não treponêmicos geralmente são os primeiros a serem realizados, e incluem o VDRL (do inglês venereal disease research laboratory) e RPR (rapid plasma reagin). Entretanto, estes exames apresentam altas taxas de falso positivo (teste positivo quando paciente não está doente). Por este motivo, é necessária a confirmação com um teste treponêmico. O VDRL baseia-se na detecção de anticorpos não treponemais. É usada a cardiolipina, um antígeno presente no ser humano (parede de células danificadas pelo Treponema) e talvez no Treponema, que reage com anticorpos contra ela em soro, gerando reações de floculação visível ao microscópio. Este teste pode dar falsos positivos, e são realizados testes para a detecção de anticorpos treponemais caso surjam resultados positivos.

Os exames treponêmicos mais usados são o FTA-Abs e o TPHA. Geralmente são usados para confirmar o resultado positivos dos testes não-treponêmicos, ou seja, do VDRL, fechando o diagnóstico. Frequentemente realizados na fase latente ou terciária.

O VDRL é único teste que poderá dar resultado negativo após um tratamento bem sucedido para a sífilis. No entanto, não é um requisito para a conclusão do sucesso ou não do tratamento. Ele faz parte dos testes não treponemais e é amplamente usado na atualidade como exame de rastreio. Por norma os valores no VDRL diminuirão para níveis ínfimos, mas ainda assim positivos, após o paciente estar tratado.

Culta de bactérias: colher amostras de uma secreção expelida por alguma ferida presente no corpo, que será analisada em microscópio. Este tipo de teste só pode ser realizado durante os dois primeiros estágios da sífilis, cujos sintomas envolvem o surgimento de feridas. A análise dessas substâncias pode indicar a presença da bactéria no organismo do paciente.

Punção lombar: se há a suspeita de que o paciente está com complicações neurológicas causadas pela sífilis, será coletado uma pequena amostra do líquido céfalo-raquidiano.

Se você foi diagnosticado com sífilis, é importante notificar ao seu parceiro ou parceira para que ele ou ela possa também realizar os exames necessários para o diagnóstico. Se der positivo, quanto antes dar início ao tratamento melhor.

Tratamento:

Quando diagnosticada precocemente, a sífilis não costuma causar maiores danos à saúde e o paciente costuma ser curado rapidamente.

O tratamento é feito à base de penicilina, um antibiótico comprovadamente eficaz contra a bactéria causadora da doença. Uma única injeção de penicilina já é o bastante para impedir a progressão da doença, principalmente se ela for aplicada no primeiro ano após a infecção. Se não, o paciente poderá precisar de mais de uma dose.

A penicilina, é o único tratamento recomendado para mulheres grávidas diagnosticadas com sífilis. Mesmo que o tratamento nesses casos seja bem-sucedido, o bebê também deverá ser tratado com antibióticos depois de nascer.

Durante o primeiro dia de tratamento, o paciente poderá apresenta reação de Jarisch-Herxheimer, que inclui uma série de sintomas:

- Febre,

- Calafrios,

- Náuseas,

- Dores nas articulações e dor de cabeça. Esses sintomas não costumam demorar mais do que um dia.

É necessária a realização de exames de sangue de acompanhamento após três, seis, 12 e 24 meses para garantir que não há mais infecção. Deve-se ser solicitado exame específico para HIV, para garantir que o paciente não desenvolverá complicações mais graves por causa do vírus da Aids. A atividade sexual deve ser evitada até que o segundo exame mostre que a infecção foi curada. A sífilis é extremamente contagiosa por meio do contato sexual nos estágios primário e secundário.

Medicamentos usados para Sífilis:

- Benzetacil;

- Bepeben;

- Clordox;

- Doxiciclina;

- Eritromicina.

NUNCA se automedique. Não interrompa o tratamento em uso sem antes consultar seu médico.

Complicações possíveis:

Sem tratamento, a sífilis pode evoluir, se espalhar pelo corpo e causar complicações mais graves para os pacientes infectados. Além disso, pode aumentar o risco de infecção por HIV e, em mulheres, pode causar complicações na gravidez.

É importante ressaltar que o tratamento pode impedir problemas futuros, mas não pode reverter danos causados anteriormente. Por isso, o tratamento precoce é essencial.

Algumas complicações que podem surgi se a sífilis não tratada:

Surgimento de inchaços na pele, ossos, fígado e outros órgãos no último estágio da doença. Com tratamento, esses inchaços costumam desaparecer, mas se não tratados eles podem evoluir para tumores.

Problemas neurológicos também podem aparecer, como AVC, meningite, surdez, problemas de visão e demência.

Aneurisma e inflamação da aorta e de outras artérias e vasos sanguíneos, danos às válvulas do coração e outros problemas cardiovasculares também são algumas das complicações possíveis.

As chances de contrair o vírus do HIV aumentam significativamente em pessoas com sífilis, pois as feridas presentes na pele – características dos dois primeiros estágios da doença – costumam sangrar facilmente, facilitando a entrada do vírus da Aids no organismo durante uma relação sexual.

Na gravidez, a mulher infectada pode passar a doença para o feto. Sífilis congênita pode elevar os riscos de aborto e os de morte do bebê durante a gestação ou após os primeiros dias de vida.

Prevenção:

O uso do preservativo. A camisinha é medida preventiva não só para sífilis, mas também para todas as outras doenças sexualmente transmissíveis (DST’s).








Adenomiose


Adenomiose é uma patologia uterina caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial (o revestimento interno do útero) dentro do miométrio (a camada muscular grossa do útero), podendo levar ou não à hipertrofia das fibras musculares uterinas, com aumento do volume do órgão, nunca, porém, tão acentuado como nos casos dos miomas. Entretanto, pacientes com adenomiose frequentemente também têm leiomioma ou endometriose.

A adenomiose ocorre tipicamente em mulheres entre 35 e 50 anos, possivelmente porque nesta faixa etária as mulheres têm excesso de estrógeno. Perto dos 35 anos, as mulheres geralmente cessam a produção de progesterona, que equilibra os efeitos do estrógeno. Após os 50 anos, devido à menopausa, as mulheres não produzem tanto estrógeno.


Etiologia:

A causa da adenomiose é desconhecida, embora possa estar associada a algum trauma uterino que possa ter rompido a barreira entre o endométrio e o miométrio, Tais como curetagem, cesáreas e ligadura de trompas.


Tipos:

Adenomiose localizada: caracterizada pela presença de glândulas e de tecido endometrial localizados numa determinada região do útero;

Adenomiose difusa: caracterizada por várias glândulas e tecido endometrial espalhados por toda a parede uterina o útero torna-se mais pesado e volumoso.

​A adenomiose pode ainda ser classificada em:

- adenomiose superficial,

- adenomiose intermediária e adenomiose profunda dependendo da região afetada do útero.


Adenomiose e endometriose.

A adenomiose e endometriose são doenças diferentes apesar de estarem relacionadas entre si. A diferença entre a endometriose e a adenomiose é que a endometriose é caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial para fora do útero enquanto que na adenomiose há o crescimento do tecido endometrial por dentro da parede uterina além do desenvolvimento de glândulas nesta mesma região.

Pacientes que sofrem com adenomiose possuem um maior risco de desenvolver doenças como endometriose e leiomioma.


Sintomas:

- Aumento do útero que pode causar inchaço abdominal;

- Intensa cólica menstrual;

- Dor durante a relação;

- Aumento do fluxo menstrual;

- Prisão de ventre e/ou dor ao evacuar.

Entretanto algumas mulheres podem não apresentar os sintomas da doença.


Diagnóstico:

Exame físico: Clinicamente a presença de adenomiose uterina leva a um aumento do fluxo menstrual (menorragia) e das cólicas uterinas (dismenorréia), diminuindo assim a qualidade de vida das pacientes.

Exames de imagem: ultrassom transvaginal e a ressonância magnética de pelve.


Tratamento:

Medicamentoso:

- Anticoncepcional com progesterona;

- Analgésicos: alívio da dor;

- DIU - Dispositivo Intra Uterino de levonorgestrel;

- Implantes subcutâneos.


Cirúrgico :


  • Retirada apenas do nódulo no caso da adenomiose focal;
  • Histerectomia total: retirada do útero.

O tratamento medicamentoso da adenomiose pode diminuir os sintomas da doença, mas a sua cura poderá ser alcançada com a retirada do útero ou com a menopausa.


Prognóstico:

Não há aumento de risco de desenvolvimento de câncer. Como a adenomiose é estrógeno-dependente, a menopausa representa a cura natural.





12 abril 2018

Nova vacina contra câncer de ovário prolonga a vida de pacientes

Mais um tratamento contra o câncer está em fase de testes clínicos. Desta vez, o alvo do estudo é o câncer de ovário. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine, explica como os resultados de uma vacina personalizada podem prolongar a vida de pacientes com a doença. Segundo o estudo, no período de dois anos os participantes que foram vacinados mostraram melhores resultados de “sobrevida global” – tempo entre o diagnóstico e a morte – quando comparados aos que não receberam a dose.

Câncer de ovário

O câncer de ovário, também conhecido como “assassino silencioso”, costuma ser diagnosticado nos estágios avançados da doença (cerca de 80% dos casos). No momento do diagnóstico, 60% dos cânceres de ovário já se espalharam para outras partes do corpo, reduzindo a taxa sobrevivência para 30% nos primeiros cinco anos. De acordo com o médico Ronny Drapkin, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a razão do diagnóstico acontecer tardiamente é a sua localização. “A pelve é como uma tigela, então um tumor pode crescer bastante antes de se tornar perceptível”, disse Drapkin ao Daily Mail Online.

Normalmente, os primeiros sintomas do câncer de ovário são gastrointestinais porque os tumores começam a fazer pressão na área acima de sua localização. No entanto, quando um indivíduo se queixa de desconforto gastrointestinal, os médicos costumam priorizar uma mudança alimentar, desconsiderando a possibilidade da doença.

Apenas quando os sintomas se tornam persistentes o paciente passa por uma triagem que revela o câncer. A doença é tratada com cirurgia e quimioterapia, mas por causa da demora no diagnóstico – e consequentemente no tratamento -, 85% dos pacientes têm recaídas e acabam desenvolvendo resistência à quimioterapia, deixando-os sem opções de tratamento.

Vacina

A médica Lana Kandalaft, principal autora do estudo, acredita que a vacina pode ser capaz de impulsionar o sistema imunológico e aumentar as taxas de sobrevivência dos pacientes. De acordo com a American Cancer Society, a equipe de pesquisadores analisou os resultados de 25 mulheres com câncer de ovário epitelial avançado, que tem taxa de sobrevida média de 17% dentro do período de cinco anos.

A vacina personalizada criada pelos cientistas consiste em usar o tumor do paciente (armazenado e preservado antes da cirurgia) e as células do sangue. Essas células têm a missão de identificar e capturar invasores e levá-los até os nódulos linfáticos, onde as células T são acionadas e iniciam um ataque na tentativa de destruir os invasores. “Os pacientes que receberam a vacina criaram uma resposta imune contra seus próprios tumores”, disse Lana em comunicado. Ainda segundo ela, os resultados são significativos porque o corpo aumentou o número de células T específicas capazes de destruir os tumores em pacientes cujo sistema imunológico não consegue reagir sozinho.

A taxa de sobrevivência no período de dois anos avaliados pela equipe entre as mulheres que receberam a vacina foi de 78% contra 44% para as que não foram vacinadas.

Precauções

O diretor médico da American Cancer Society, Otis Brawley, afirmou-se esperançoso com a ideia da imunoterapia ser usada como tratamento para o câncer de ovário. Apesar de não estar envolvido na pesquisa, ele se disse cauteloso com as vacinas personalizadas. “A análise de sobrevivência é propensa a alguns preconceitos que podem induzir ao erro até mesmo em avaliadores clínicos mais experientes”, disse ao Daily Mail Online.

Os pesquisadores garantem que pretendem fazer mais estudos com a vacina. A pesquisa atual focou na segurança do tratamento.



https://www.msn.com/pt-br/saude/medicina/nova-vacina-contra-c%C3%A2ncer-de-ov%C3%A1rio-prolonga-a-vida-de-pacientes/ar-AAvP2L0?li=AAggPNl

30 dezembro 2017

Câncer no ovário


O termo câncer ovariano refere-se a neoplasias (tumores malignos) com origem no ovário estrutura responsável pela produção dos óvulos nas mulheres.

Acontece com maior frequência a partir da oitava década de vida, sendo relativamente raro em idades mais precoces.

Causas:


O câncer de ovário é o quinto tipo de câncer mais comum entre as mulheres e causa mais mortes que qualquer outro tipo de câncer nos órgãos reprodutores femininos.

A causa é desconhecida.


Fatores de risco:


  • Histórico familiar prévio da doença;
  • Nuliparidade (ausência de gestações prévias);
  • Menarca precoce;
  • Menopausa tardia e idade avançada;
  • Mulheres com um histórico pessoal de câncer de mama ou histórico familiar de câncer de mama ou de ovário apresentam um risco maior de contrair câncer de ovário;
  • Mulheres portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, cuja chance de desenvolver câncer pode chegar a mais de 50%, sendo por isso recomendada a retirada dos ovários e as tubas uterinas quando tiverem idades entre 35 e 40 anos;
  • Mulheres que fazem somente reposição de estrogênio (sem progesterona) por cinco anos ou mais parecem ter mais risco de desenvolver câncer de ovário. No entanto, as pílulas anticoncepcionais diminuem o risco de câncer de ovário.

Estudos sugerem que os medicamentos para fertilidade não aumentam o risco de câncer de ovário.


Exames:


Um exame físico pode revelar um abdômen inchado e líquido na cavidade abdominal (ascite). Um exame pélvico pode revelar uma massa no abdômen ou em um dos ovários.

O exame de sangue CA-125 não é considerado um bom teste de triagem do câncer de ovário. Entretanto, ele pode ser feito se a mulher:

Tiver sintomas de câncer de ovário;

Já tiver sido diagnosticada com câncer de ovário, para determinar o funcionamento do tratamento.

Outros testes que podem ser realizados incluem:

  • Contagem de células sanguínea completa e química sanguínea
  • Teste de gravidez (HCG soro)
  • Tomografia computadorizada ou ressonância magnética da pelve e do abdome
  • Ultrassom da pelve;

Nenhum exame de laboratório ou de imagem demonstrou até hoje ser capaz de diagnosticar o câncer de ovário nos seus estágios iniciais.


Sintomas:


Normalmente, os sintomas do câncer de ovário são muito vagos. As mulheres e seus médicos frequentemente colocam a culpa dos sintomas em outras doenças mais comuns. Quando o câncer é finalmente diagnosticado, o tumor muitas vezes já se espalhou para outros órgãos.

Procure seu médico se apresentar os sintomas a seguir diariamente por mais de algumas semanas:

  • Inchaço;
  • Dificuldade para comer ou sentir-se satisfeita rapidamente;
  • Dor pélvica ou abdominal.

Outros sintomas também acompanham o câncer de ovário. Entretanto, esses sintomas também são comuns em mulheres que não têm câncer:

  • Ciclos menstruais anormais;
  • Constipação;
  • Aumento de gases;
  • Indigestão;
  • Falta de apetite;
  • Náusea e vômitos;
  • Sensação de peso na pélvis;
  • Abdômen ou barriga inchada;
  • Dor nas costas inexplicável, que piora com o tempo;.
  • Sangramento vaginal;
  • Desconforto vago no baixo abdome;
  • Ganho ou perda de peso;
  • Aumento excessivo de pelos;
  • Aumento na frequência ou urgência urinária.

Marque uma consulta com seu médico se você estiver com mais de 40 anos e não tiver feito um exame pélvico recentemente. Os exames pélvicos de rotina são recomendados para todas as mulheres com mais de 20 anos.


Tratamento:


Uma cirurgia, como a laparoscopia pélvica ou a laparotomia exploradora, pode ser realizada a fim de avaliar os sintomas e fazer uma biópsia para ajudar a chegar ao diagnóstico.

Nenhum exame de laboratório ou de imagem demonstrou até hoje ser capaz de diagnosticar o câncer de ovário nos seus estágios iniciais.

A cirurgia é usada para tratar todos os estágios do câncer de ovário. Nos estágios iniciais, ela talvez seja o único tratamento possível. A cirurgia envolve:

Remoção do útero (histerectomia total);

Remoção dos ovários e trompas de Falópio (salpingo-ooforectomia bilateral);

Remoção parcial ou completa do omento, camada de gordura que cobre e protege os órgãos no abdômen;

Exame, biopsia ou remoção dos linfonodos e de outros tecidos da pélvis e do abdome;

A cirurgia feita por um especialista em câncer do aparelho reprodutivo feminino tem o maior índice de sucesso.

A quimioterapia é usada após a cirurgia para tratar de qualquer resíduo da doença. Ela também pode ser usada se o câncer reincidir. A administração da quimioterapia pode ser feita nas veias ou, algumas vezes, diretamente na cavidade abdominal (intraperitoneal).

A radioterapia é raramente usada em casos de câncer de ovário nos Estados Unidos.

Após a cirurgia e a quimioterapia, as pacientes devem fazer:

Um exame físico (incluindo exame pélvico) a cada dois a quatro meses nos primeiros dois anos, depois a cada seis meses durante três anos e depois anualmente;

Um exame de sangue CA 125 a cada consulta médica se o nível inicial estava alto;

Uma tomografia computadorizada do tórax, abdome e região pélvica e uma radiografia do tórax, caso solicitadas pelo médico.


Expectativas:

O câncer de ovário é raramente diagnosticado nos seus estágios iniciais. Ele geralmente está muito avançado quando o diagnóstico é feito.

Cerca de três a cada quatro mulheres com câncer de ovário sobrevivem um ano após o diagnóstico.

Cerca de 50% vivem mais que cinco anos após o diagnóstico.

Se o diagnóstico for feito no início da doença, e o tratamento acontecer antes que o câncer se espalhe para fora do ovário, à taxa de sobrevivência de cinco anos é muito alta.


Complicações:


  • Espalhamento do câncer para outros órgãos;
  • Perda de função dos órgãos;
  • Líquido no abdome (ascite);
  • Obstrução intestinal.


Prevenção:

Não existe uma recomendação padrão para fazer a triagem do câncer de ovário. Fazer a triagem de mulheres com ultrassom pélvico ou exames de sangue, como o Ca-125, não é eficiente nem recomendado.

O teste BRCA pode ser feito em mulheres com alto risco de câncer de ovário.

A remoção dos ovários e das trompas de mulheres que apresentam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 pode diminuir o risco de desenvolver o câncer de ovário, embora ele possa se desenvolver em outras áreas da pelve.




Câncer de próstata pode ser sexualmente transmissível, dizem cientistas


O câncer de próstata pode ser uma doença sexualmente transmissível causada por uma infecção comum, porém muitas vezes silenciosa, transmitida durante a relação sexual, de acordo com um grupo de pesquisadores americanos.

Apesar de vários tipos de câncer serem causados por infecções, o grupo britânico Cancer Research UK, que realiza pesquisas sobre a doença, diz que é muito cedo para adicionar o câncer de próstata a esta lista.

Cientistas da Universidade da Califórnia testaram células da próstata humana em laboratório e descobriram que uma infecção sexual chamada tricomoníase ajudava no crescimento do câncer.

Agora, mais pesquisas são necessárias para confirmar essa ligação, disseram os cientistas na publicação da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS).

Infecção sexual

Acredita-se que cerca de 275 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas pela tricomoníase. Ela é a infecção não-viral mais comum transmitida sexualmente.

Muitas vezes, a infecção não apresenta sintomas e a pessoa não está ciente de que está contaminada.

Homens podem sentir coceira ou irritação dentro do pênis, ardor após urinar ou ejacular, ou um corrimento branco no pênis.

Já mulheres podem sentir coceira ou dor na região genital, desconforto ao urinar ou um cheiro desagradável.

Esta pesquisa não é a primeira a sugerir uma ligação entre a tricomoníase e o câncer de próstata. Um estudo realizado em 2009 descobriu que um quarto dos homens com câncer de próstata mostrou sinais de tricomoníase, e estes indivíduos eram mais propensos a ter tumores avançados.

O estudo da PNAS sugere como a doença sexualmente transmissível poderia tornar os homens mais vulneráveis ao câncer de próstata, embora não seja a prova definitiva dessa ligação.

A professora Patrícia Johnson e seus colegas descobriram que o parasita que causa a tricomoníase - Trichomonas vaginalis - produz uma proteína que causa inflamação e invasão de células benignas e cancerosas da próstata.

Eles dizem que mais estudos devem, agora, explorar esse dado - especialmente diante do fato de que a causa do câncer de próstata segue desconhecida.

Quebra-cabeça

Nicola Smith, do Cancer Research UK, disse: "Este estudo sugere um possível caminho pelo qual o parasita Trichomonas vaginalis poderia incentivar células cancerosas da próstata para crescer e se desenvolver mais rapidamente".

"Mas a pesquisa foi feita apenas no laboratório, e evidências anteriores em pacientes não mostraram uma clara ligação entre o câncer de próstata e esta infecção sexualmente transmissível".

"Há uma grande quantidade de pesquisas sobre o risco de câncer de próstata e estamos trabalhando duro para juntar as peças do quebra-cabeça".

Segundo ele, ainda há fatores de estilo de vida desconhecidos que parecem afetar o risco de desenvolver a doença, sem nenhuma evidência convincente de uma ligação com a infecção.

"O risco do câncer de próstata é conhecido com o aumento da idade", disse Smith.

O câncer de próstata é mais comum em homens com mais de 70 anos, e é possível que haja algum risco genético, já que a doença pode ocorrer em famílias.


http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/05/140520_saude_cancer_prostata_hb