09 março 2020

Meningite


Meningite é uma inflamação aguda das membranas protetoras que revestem o cérebro e a medula espinal, denominadas coletivamente por meninges.

Causas

A meningite de origem infecciosa pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas.

Existem muitos tipos de bactérias que podem causar meningite. As principais causas no Brasil são:
  • Neisseria meningitidis (meningococo);
  • Streptococcus pneumoniae (pneumococo);
  • Haemophilus influenzae;
  • Mycobacterium tuberculosis;
  • Streptococcus sp., especialmente os do Grupo B;
  • Listeria monocytogenes;
  • Escherichia coli;
  • Treponema pallidum;
  • Entre outras

As causas mais comuns de meningite bacteriana variam de acordo com o grupo etário:

👉Recém-nascidos: Streptococcus do grupo B, Streptococcus pneumoniae, Listeria monocytogenes, Escherichia coli.

👉Bebes e crianças: Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae, Streptococcus do grupo B.

👉Adolescentes e adultos jovens: Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae.

👉Idosos: Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae, Streptococcus do grupo B, Listeria monocytogenes.

Os principais agentes virais que podem causar meningite são:

⤷Enterovírus não-pólio (tais como os vírus Coxsackie, e Echovírus);

⤷Vírus do grupo Herpes (incluindo o herpes simplex, o vírus da varicela zoster, Epstein-Barr e Citomegalovírus);

⤷Arbovírus (tais como dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela, e o vírus da febre do Nilo Ocidental);

⤷Vírus do Sarampo;

⤷Vírus da Caxumba;

⤷Adenovírus;

⤷Entre outros.

Por Fungos:

  • Cryptococcus neoformans;
  • Cryptococcus gatti;
  • Candida albicans;
  • Candida tropicalis;
  • Histoplasma capsulatum;
  • Paracoccidioides brasiliensis;
  • Aspergillus fumigatus.

Por Protozoários
  • Toxoplasma gondii;
  • Trypanosoma cruzi;
  • Plasmodium sp.

Por Helmintos

  • Infecção larvária da Taenia solium;
  • Cysticercus cellulosae (Cisticercose);
  • Angyostrongylus cantonensis.

Sintomas

Meningite bacteriana

Os sintomas da meningite incluem início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço. Muitas vezes há outros sintomas, como:

→Mal estar;
→Náusea;
→Vômito;
→Fotofobia (aumento da sensibilidade à luz);
→Status mental alterado (confusão).

Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer, como: convulsões, delírio, tremores e coma.

Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico ou irresponsivo a estímulos. Também podem apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.

Na septicemia meningocócica (também conhecida como meningococemia) que é uma infecção na corrente sanguínea causada pela bactéria Neisseria meningitidis, além dos sintomas descritos acima, podem aparecer outros como:
  • Fadiga
  • Mãos e pés frios
  • Calafrios
  • Dores severas ou dores nos músculos, articulações, peito ou abdômen (barriga)
  • Respiração rápida
  • Diarreia
  • E, manchas vermelhas pelo corpo.

Meningite viral

Os sintomas iniciais da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana. No entanto, a meningite bacteriana é geralmente mais grave.
  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Rigidez no pescoço;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Falta de apetite;
  • Irritabilidade;
  • Sonolência ou dificuldade para acordar do sono;
  • Letargia (falta de energia);
  • Fotofobia (aumento da sensibilidade à luz).

Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico (falta de energia) ou irresponsivo a estímulos. Também podem apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.

Meningite de parasitas

Tal como acontece com a meningite causada por outras infecções, as pessoas que desenvolvem este tipo de meningite podem apresentar dores de cabeça, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz) e/ou estado mental alterado (confusão).

Meningite por fungos

Os sinais e sintomas de meningite fúngica são parecidos com os causados por outros tipos de agentes etiológicos, como segue: febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, náusea, vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz), e status mental alterado (confusão).

Transmissão

A transmissão varias de acordo o tipo.

Meningite Bacteriana

Geralmente, as bactérias que causam meningite bacteriana se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Já outras bactérias podem se espalhar por meio dos alimentos, como é o caso da Listeria monocytogenes e da Escherichia coli.
É importante saber que algumas pessoas podem transportar essas bactérias dentro ou sobre seus corpos sem estarem doentes. Essas pessoas são chamadas de “portadoras”. A maioria dessas pessoas não adoece, mas ainda assim pode espalhar as bactérias para outras pessoas.

Meningite Viral

As meningites virais podem ser transmitidas de diversas maneiras a depender do vírus causador da doença.
No caso dos Enterovírus, a contaminação é fecal-oral, e os vírus podem ser adquiridos por contato próximo (tocar ou apertar as mãos) com uma pessoa infectada; tocar em objetos ou superfícies que contenham o vírus e depois tocar nos olhos, nariz ou boca antes de lavar as mãos, trocar fraldas de uma pessoa infectada, depois tocar nos olhos, nariz ou boca antes de lavar as mãos, beber água ou comer alimentos crus que contenham o vírus. Já os Já os Arbovírus são transmitidos por meio de picada de mosquitos contaminados.

Fungos

A meningite fúngica não é transmitida de pessoa para pessoa. Geralmente os fungos são adquiridos por meio da inalação dos esporos (pequenos pedaços de fungos) que entram nos pulmões e podem chegar até as meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal). Alguns fungos encontram-se em solos ou ambientes contaminados com excrementos de pássaros ou morcegos.
Já um outro fungo, chamado Cândida, que também pode causar meningite, geralmente é adquirido em ambiente hospitalar.

Parasitas

Os parasitas que causam meningite não são transmitidos de uma pessoa para outra, e normalmente infectam animais e não pessoas. As pessoas são infectadas pela ingestão de produtos ou alimentos contaminados que tenha a forma ou a fase infecciosa do parasita.

Diagnóstico

Exame Clinico;

→O sinal de Kernig pode ser avaliado deitando a pessoa de costas, com a anca e joelho flectidos 90º. Numa pessoa com sinal de Kernig positivo, a dor limita a extensão excessiva do joelho. 

→Um sinal de Brudziński positivo ocorre quando a flexão do pescoço causa a flexão involuntária do joelho e anca. Embora estes sinais sejam geralmente usados no diagnóstico de meningite, são de sensibilidade limitada; ou seja, nem sempre ocorrem. No entanto, são muito específicos para a meningite, o que significa que raramente ocorrem em outras doenças. 
Exames laboratoriais são solicita imediatamente para detectar marcadores da inflamação.

  • Proteína C - reativa,
  • Hemograma completo);
  • Hemocultura.
  • LCR - Exame mais importante para o diagnóstico definitivo da meningite, obtido por punção lombar.
  • Exame quimiocitológico do líquor;
  • Bacterioscopia direta (líquor);
  • Cultura (líquor, sangue, petéquias ou fezes);
  • Contra-imuneletroforese cruzada – CIE (líquor e soro);
  • Aglutinação pelo látex (líquor e soro).
O aspecto do líquor, embora não considerado um exame, funciona como um indicativo. O líquor normal é límpido e incolor, como “água de rocha”.
Nos processos infecciosos, ocorre o aumento de elementos figurados (células), causando turvação, cuja intensidade varia de acordo com a quantidade e o tipo desses elementos.

Tratamento

A meningite é uma emergência médica potencialmente fatal. Quando não é tratada atempadamente, a taxa de mortalidade é elevada e a demora no tratamento está associada a um prognóstico menos favorável.

Meningites bacterianas, faz-se uso de antibioticoterapia em ambiente hospitalar;

Meningites virais, na maioria dos casos, não se faz tratamento com medicamentos antivirais. Em geral as pessoas são internadas e monitoradas quanto a sinais de maior gravidade, e se recuperam espontaneamente. Porém alguns vírus como herpes vírus e influenza podem vir a provocar meningite com necessidade de uso de antiviral específico. A devida conduta sempre é determinada pela equipe médica que acompanha o caso.

Meningites fúngicas o tratamento é mais longo, com altas e prolongadas dosagens de medicação antifúngica, escolhida de acordo com o fungo identificado no organismo do paciente. A resposta ao tratamento também é dependente da imunidade da pessoa, e pacientes com história de HIV/AIDS, diabetes, câncer e outras doenças imunodepressoras são tratados com maior rigor e cuidado pela equipe médica.

Meningites por parasitas, tanto o medicamento contra a infecção como as medicações para alívio dos sintomas são administrados por equipe médica em paciente internado. Nestes casos, os sintomas como dor de cabeça e febre são bem fortes, e assim a medicação de alívio dos sintomas se faz tão importante quanto o tratamento contra o parasita.

Prevenção

A meningite é uma síndrome que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos. Para alguns destes, existem medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia.

Vacinas disponíveis no calendário de vacinação da criança do Programa Nacional de Imunização:

➜Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C: protege contra a Doença Meningocócica causada pelo sorogrupo C;

➜Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite;

➜Pentavalente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B;

➜BCG: protege contra as formas graves da tuberculose.


Manual Técnico - Gestação de Alto Risco - MS - 5ª edição

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Gordura no fígado (Esteatose Hepática)

Fígado gorduroso, também conhecido como esteatose hepática ou doença hepática gordurosa é uma condição reversível na qual grandes quantidades de triglicerídeos (um tipo comum de gordura) acumulam anormalmente nas células do fígado (hepatócito) formando grandes vesículas (vacúolos). Esse processo de acumulação de gordura nas células é denominado cientificamente como esteatose e pode evoluir para quadros graves de cirrose e insuficiência hepática.
A prevalência na população geral varia entre 10 e 33% dependendo do país, aumentando para 75% em obesos e 90% em alcoolistas (consumo de 2 ou mais copos por dia).
O fígado é um órgão de primordial importância, sendo a principal unidade de fabricação de proteínas sanguíneas, metabolismo de toxinas e medicamentos, produção de linfa e um dos responsáveis pela transformação das proteínas, dos açúcares e das gorduras que ingerimos.

Classificação

Esteatose hepática associada ao álcool;
Esteatose hepática não-associada ao álcool.  

Causas

Não se sabe exatamente por que alguns indivíduos desenvolvem esteatose hepática não alcoólica, mas algumas doenças estão claramente ligadas a esse fato. Podemos citar:

➜Consumo de álcool - O consumo frequente de bebidas alcoólicas é a principal causa de esteatose e esteato-hepatite;
Desnutrição;

➜Diabetes mellitus Tipo 2 mal controlada - A resistência à insulina também estão intimamente relacionados ao acúmulo de gordura no fígado;

➜Hepatites virais;

➜Hepatotoxinas como certos cogumelos alucinógenos;

➜Presença de Klebsiella pneumoniae no intestino (é uma espécie de bactéria gram-negativa);

➜Obesidade – Mais de 80% dos pacientes com esteatose hepática são obesos. Quanto maior o sobrepeso, maior o risco;

➜Colesterol elevado – Principalmente níveis altos de triglicerídeos;

➜Medicamentos;

➜Apneia obstrutiva do sono;

➜Hipotiroidismo;

➜Cirurgias abdominais;

➜Gravidez - A esteatose hepática é mais comum no sexo feminino, provavelmente por ação do estrogênio.

Fatores de risco
  • Os fatores de risco;
  • Excesso de triglicerídeos;
  • Excesso de colesterol LDL;
  • Terceiro trimestre da gravidez;
  • Grande perda de peso brusca;
  • Má nutrição.

Sintomas

Essa doença demora a apresentar sintomas que podem passar despercebido até que surjam complicações. Nos primeiros anos, dentre os sintomas possíveis estão:

  • Desconforto abdominal;
  • Pequeno aumento do tamanho do fígado;
  • Perda de apetite.

Alguns pacientes com esteatose hepática queixa-se de fadiga e sensação de peso no quadrante superior direito do abdômen. Não há evidências, entretanto, que esses sintomas estejam relacionados ao acúmulo de gordura no fígado. Há pacientes com graus avançados de esteatose que não apresentam sintoma algum.

O aumento do tamanho do fígado, chamado de hepatomegalia, pode ser detectável através do exame físico nos pacientes com esteatose mais avançada ou esteato-hepatite. Nesses casos, a dor e o desconforto na região do fígado estão justificados.

O que diferencia o acúmulo de gordura benigno da esteatose hepática do acúmulo de gordura prejudicial da esteato hepatite é a presença de inflamação no fígado. Ambas situações não costumam causar sintomas. Clinicamente é impossível distingui-los.

Diagnóstico
  • Anamnese;
  • Exames Laboratoriais;
  • Exames por Imagens.

A história clínica, exame físico e análises laboratoriais são imprescindíveis para a avaliação do paciente. Sorologias para hepatite A, B e C são necessárias para descartar a presença de hepatite viral.

As análises laboratoriais servem para avaliar o grau de lesão do fígado através das chamadas enzimas hepáticas (TGO e TGP ou AST e ALT) e de outros marcadores de doença do fígado, como a gama GT. Na esteatose hepática, as enzimas do fígado estão normais, enquanto na esteato-hepatite há aumento das mesmas.

Os exames por imagem, nem sempre é possível diferenciar casos de esteatose, principalmente em fase avançada, da esteato-hepatite.

A ultrassonografia, consegue-se ver bem a gordura, mas não possui sensibilidade suficiente para descartar ou confirmar a presença de inflamação no fígado, bem como não conseguem distinguir a esteato-hepatite das outras causas de hepatite.

Graus de esteatose hepática

Geralmente é possível quantificar a quantidade de gordura acumulada no fígado através da ultrassonografia.

Esteatose hepática grau 1 (esteatose hepática leve) quando há pequeno acúmulo de gordura;

Esteatose hepática grau 2 quando há acúmulo moderado;

Esteatose hepática grau 3 quando há grande acúmulo de gordura no fígado.

Biópsia hepática - O único modo de se diagnosticar uma esteato-hepatite com certeza é através da biópsia hepática. Este procedimento costuma ser indicado apenas nos pacientes com sinais clínicos, radiológicos e/ou laboratoriais de lesão do fígado. 
O paciente com um esteatose leve não precisa se submeter à biópsia.

Tratamento

Esta doença não tem um tratamento específico, sendo a assim o objetivo é o foco em tratar sua causa. Devem-se adotar medidas que conduzam à regressão e ao desaparecimento da esteatose ou que evitem a progressão para situações mais graves.

➡Perda de peso;

➡Prática de atividade física;

➡Dieta hipocalórica;

➡Consumo de álcool - A suspensão do consumo de álcool é extremamente necessária para evitar que uma esteatose evolua para esteato-hepatite e cirrose hepática.

➡Doença cardiovascular, Pacientes com esteatose hepática apresentam maior risco de doenças cardiovasculares, por isso, o controle dos fatores de risco é essencial para diminuir o risco de complicações cardíacas.

➡Vacinação contra hepatite A e B.

Complicações

Quando não tratada, ela pode evoluir para uma inflamação do fígado chamada esteato-hepatite. 20% dos casos desta inflamação que não são tratados podem evoluir para uma cirrose hepática, situação em que o tecido do fígado pode ser substituído por fibroses. Se a cirrose avançar, pode ser necessário um transplante de fígado. Além disso, a cirrose é um fator de risco comum para o câncer de fígado (hepatocarcinoma).