21 junho 2017

Cientistas encontram fator que pode ajudar a diminuir as dores do herpes zoster

Descoberta poderá ajudar no tratamento do herpes zóster, eliminando as dores provocadas pelo vírus; conheça mais sobre a doença e como evita-la

Um novo aliado no tratamento do herpes zóster foi desenvolvido por cientistas. Os pesquisadores do Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid) da USP descobriram como é gerada a dor aguda em pacientes que sofrem dessa condição que, geralmente, acabam desenvolvendo dores crônicas.

Em um estudo que analisou o comportamento de camundongos infectados com o vírus do herpes simples (HSV-1), que age de maneira semelhante ao do Varicela zoster - causador do herpes zóster -, foi possível perceber uma molécula, conhecida como fator de necrose tumoral (TNF), que, ao ser combatida, poderá evitar a dor herpética. A pesquisa foi publicada na revista Journal of Neuroscience no começo de junho.

“Quando infectamos os camundongos, eles apresentam uma hipersensibilidade dolorosa, pois o vírus chega ao gânglio e promove uma inflamação nesse local. Examinamos vários aspectos dessa inflamação local, como o infiltrado de células, que contém macrófagos e neutrófilos [células de defesa do organismo], e caracterizamos a resposta imune”, explica o pesquisador principal do Crid e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP Thiago Mattar Cunha ao Jornal da USP.

O controle da inflamação é a peça chave para reduzir a dor aguda. No entanto, 40% dos pacientes permanecem sentido dores por até muitos anos, desenvolvendo o que os pesquisadores chamam de dor crônica. “Não se sabe muito bem a explicação para essa neuralgia pós-herpética. Acreditamos que processos envolvidos na dor aguda levam à cronificação dessa dor. Então, se compreendermos a dor aguda, conseguiremos prevenir a pós-herpética”, explica Cunha.

Herpes zóster

Conhecida também como cobreiro, a doença infecciosa é desenvolvida pelo vírus Varicela zoster , que é o mesmo capaz de provocar catapora na infância e está presente em 95% da população. Ele pode permanecer em estado latente ou inativo na coluna espinhal e reativado em pessoas imunossuprimidas ou após o indivíduo completar 50 anos, quando o organismo fica mais suscetível a quedas na imunidade.

Ao ser infectado, há o surgimento de erupções cutâneas, similares às da infecção pelo herpes humano simples. Os sintomas geralmente aparecem nas costas ou no rosto e, em 96% dos pacientes apresentam dor nevrálgica é muito forte, capaz de impedir tarefas cotidianas como tomar banho ou se vestir, e pode continuar mesmo depois que as lesões sumirem, caracterizando a neuralgia pós-herpética.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos, a estimativa é de que a cada três pessoas, uma terá a doença em algum momento da vida. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende cerca de 10 mil internações causadas pelas complicações do vírus, conforme afirma o Sistema de Informações Hospitalares do SUS.

Tratamento

Geralmente, a cura acontece rapidamente e espontaneamente, mas, atualmente, existem medicamentos antivirais e analgésicos que ajudam a combater a dor e reduzir as lesões para evitar complicações futuras, como cegueira e surdez, caso as erupções surjam no rosto.

Para evitar a doença, a Anvisa liberou, há três anos, uma vacina contra o vírus do herpes zóster, a Zostavax, que é aplicada em pessoas acima de 50 anos, e ajuda a evitar a reativação do vírus e previne a incidência da nevralgia pós-herpética e seus quadros dolorosos. Gestantes não devem receber a imunização.

Por ser uma condição contagiosa, é importante tomar alguns cuidados ao perceber os sintomas da doença. Veja quais são as recomendações:

- Ao notar os sintomas, não demore para procurar um médico. Quanto mais rápido o tratamento, melhores os resultados;

- Sempre lavar as mãos com água e sabão antes e depois de tocar a área infectada;

- Em caso das erupções arrebentarem, cubra o local com gaze para impedir que o líquido contamine outras partes do corpo;

- Evite o contato com crianças e adultos que não tiveram catapora. Mesmo quem já teve está suscetível à doença, mas nesses casos, o risco é ainda maior;

- Em casos de contaminação na região da testa, nariz ou ao redor dos olhos, o herpes zóster pode comprometer a visão seriamente. Por isso, nessas situações procure um oftalmologista o mais urgente possível.

 

 

Fonte: Saúde - iG @ http://saude.ig.com.br/2017-06-19/herpes-zoster.html

Cientistas testam vacina contra colesterol para prevenir doenças cardíacas

Depois de testes bem-sucedidos com camundongos, uma vacina que reduz o colesterol será testada em humanos.

A injeção foi desenvolvida para evitar que depósitos de gordura obstruam as artérias. Ela seria uma alternativa a pacientes que tomam diariamente comprimidos para reduzir o risco de derrame, angina e doenças do coração.

Pesquisadores da Universidade Médica de Viena vão avaliar a segurança de seu tratamento experimental em 72 voluntários.

Ainda levará pelo menos seis anos de testes para saber se o tratamento é seguro e eficiente o suficiente para uso em humanos, explicaram Guenther Staffler e sua equipe da Organização Holandesa de Pesquisa Científica Aplicada na publicação científica European Heart Journal.

Segundo os pesquisadores, mesmo que se torne disponível ao público, a vacina não deveria ser vista como uma desculpa para pessoas evitarem exercícios físicos e adotarem uma alimentação com alto nível de gordura.

A injeção ajuda o sistema imune do corpo a atacar uma proteína chamada PCSK9, que permitiria ao mau colesterol, o LDL, se acumular na corrente sanguínea.

Pesquisadores esperam que esse possa ser um reforço anual para aumentar a imunidade dos pacientes.

Em camundongos, o tratamento reduziu o LDL em 50% em um período de 12 meses e pareceu proteger contra o acúmulo de depósitos de gordura nas artérias (aterosclerose).

O que é colesterol?

O colesterol é uma substância gordurosa encontrada no sangue.

Todos precisam dela, mas o excesso do chamado colesterol ruim aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

O bom colesterol, ou HDL, por outro lado, é benéfico porque ajuda a transportar outros tipos de colesterol da corrente sanguínea para o fígado, onde ele é descomposto.

Algumas pessoas têm colesterol alto por uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar. Alimentação não saudável, alto consumo de álcool, fumo e inatividade também estão relacionados com o problema.

Pessoas com colesterol alto podem tomar medicamentos que reduzem seus níveis, chamados estatinas, e, com isso, também minimizar os riscos de doenças cardiovasculares.

Mas embora as drogas sejam baratas e eficazes, não funcionam em todo mundo. Algumas pessoas não gostam de tomar medicação diária ou se esquecem de tomá-la porque estão se sentindo bem. Além disso, em alguns casos é possível haver efeitos colaterais.

Por essas razões, pesquisadores têm investigado opções alternativas de tratamento no lugar das estatinas.

Próximos passos


A primeira fase de testes, em 72 voluntários, deve ser concluída no final deste ano. Isso vai definir se há problemas de segurança ou efeitos colaterais antes que estudos maiores com pessoas comecem.

Há uma preocupação de que a vacina terapêutica aumente o risco de diabetes - os pesquisadores da Universidade Médica de Viena estarão de olho nisso.

"Ainda há muitas perguntas sobre essa abordagem poder funcionar em humanos", comentou Tim Chico, cardiologista da Universidade de Sheffield.

"Essa é mais uma prova de que o colesterol provoca doenças do coração. E reduzir o colesterol diminui o risco de doenças do coração, então isso confirma a importância de um estilo de vida saudável para todos, e de medicamentos como estatinas para algumas pessoas."

Para o professor Nilesh Samani, da Fundação Britânica do Coração, encontrar novas formas de controlar os níveis de colesterol das pessoas é "absolutamente vital".

"Embora testada apenas em camundongos até o momento, essa vacina poderia levar a uma maneira simples de combater o colesterol alto e, em última instância, reduzir o risco de doenças do coração nas pessoas."



http://www.bbc.com/portuguese/geral-40339807

03 abril 2017

Os hormônios da felicidade: como desencadear efeitos da endorfina, oxitocina, dopamina e serotonina

Ao longo dos séculos, artistas e pensadores se dedicaram a definir e representar a felicidade. Nas últimas décadas, porém, grupos menos românticos se juntaram a essa difícil tarefa: endocrinologistas e neurocientistas.

O objetivo é estudar a felicidade como um processo biológico para encontrar o que desencadeia esse sentimento sob o ponto de vista físico.

Ou seja, eles não se importam se as pessoas são mais felizes por amor ou dinheiro, mas o que acontece no corpo quando a alegria efetivamente dispara, e como "forçar" esse sentimento.

Mistura de energético com álcool aumenta chances de acidentes, dizem pesquisadores canadenses

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Neste sentido, há quatro substâncias químicas naturais em nossos corpos geralmente definidas como o "quarteto da felicidade": endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina.

A pesquisadora Loretta Breuning, autora do livro Habits of a happy brain ("Hábitos de um cérebro feliz", em tradução livre), explica que "quando o seu cérebro emite uma dessas químicas, você se sente bem".

"Seria bom que surgissem o tempo todo, mas não funcionam assim", diz a professora da Universidade Estadual da Califórnia (EUA).

"Cada substância da felicidade tem um trabalho especial para fazer e se apaga assim que o trabalho é feito."

Conheça a seguir maneiras simples para ativar essas quatro substâncias químicas da felicidade, sem drogas ou substâncias nocivas.

1. Endorfinas

As endorfinas são consideradas a morfina do corpo, uma espécie de analgésico natural.

Descoberta há 40 anos, as endorfinas são uma "breve euforia que mascara a dor física", classifica Breuning.

Por isso, comer alimentos picantes é uma das maneiras de liberar esses opiáceos naturais, o que induz uma sensação de felicidade. Mas essa não é a única maneira de obter uma "injeção" de endorfina.

As mais de 300 ilhas paradisíacas condenadas a desaparecer do mapa

De acordo com estudo publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra), assistir a filmes tristes também eleva os níveis da substância.

"Aqueles que tiveram maior resposta emocional também registraram maior aumento na resistência a dores e sentimento de unidade em grupo", disse à BBC Robin Dunbar, professor de Psicologia Evolutiva e autor do estudo.

Dançar, cantar e trabalhar em equipe também são atividades que melhoram, por meio de um aumento nas endorfinas, a união social e tolerância à dor, afirma Dunbar.

2. Serotonina

Como a serotonina flui quando você se sente importante, o sentimento de solidão e até mesmo a depressão são respostas químicas à sua ausência.

"Nas últimas quatro décadas, a questão de como manipular o sistema serotoninérgico com drogas tem sido uma importante área de pesquisa em biologia psiquiátrica e esses estudos têm levado a avanços no tratamento da depressão", escreveu em 2007 Simon Young, editor-chefe na revista Psiquiatria e Neurociência.

Dez anos mais tarde, a depressão se situa como a principal causa principal de invalidez em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de transtorno mental que afeta mais de 300 milhões de pessoas.

A estratégia mais simples para elevar o nível de serotonina é recordar momentos felizes, diz Alex Korb, neurocientista do site Psicologia Hoje.

Por que comprei heroína para dar à minha filha dependente

Um sintoma da depressão é esquecer situações felizes. Por isso, acrescenta Korb, olhar fotos antigas ou conversar com um amigo pode ajudar a refrescar a memória.

O neurocientista descreve três outras maneiras: tomar sol, receber massagens e praticar exercícios aeróbicos, como corrida e ciclismo.

3. Dopamina

A dopamina é costuma ser descrita como responsável por sentimentos como amor e luxúria, mas também já foi tachada de ser viciante. Daí sua descrição como "mediadora do prazer".

"Baixos níveis de dopamina fazem que pessoas e outros animais sejam menos propensos a trabalhar para um propósito", afirmou John Salamone, professor de Psicologia na Universidade de Connecticut (EUA), em estudo sobre efeitos da dopamina no cérebro publicado em 2012 na revista Neuron.

Por isso, acrescentou o pesquisador, a dopamina "tem mais a ver com motivação e relação custo-benefício do que com o próprio prazer."

O certo é que essa substância química é acionada quando se dá o primeiro passo rumo a um objetivo e também quando a meta é cumprida.

Além disso, pode ser gerada por um fato da vida cotidiana (por exemplo, encontrar uma vaga livre para estacionar o carro) ou algo mais excepcional (como receber uma promoção no trabalho).

A melhor maneira de elevar a dopamina, portanto, é definir metas de curto prazo ou dividir objetivos de longo prazo em metas mais rápidas. E celebrar quando atingi-las.

4. Oxitocina

Por ser relacionada com o desenvolvimento de comportamentos e vícios maternos, a oxitocina é muitas vezes apelidada de "hormônio dos vínculos emocionais" e "hormônio do abraço".

Segundo estudo publicado em 2011 pelo ginecologista e obstetra indiano Navneet Magon, "a ligação social é essencial para a sobrevivência da espécie (humanos e alguns animais), uma vez que favorece a reprodução, proteção contra predadores e mudanças ambientais, além de promover o desenvolvimento do cérebro."

"A exclusão do grupo produz transtornos físicos e mentais no indivíduo, e, eventualmente, leva à morte", acrescenta.

Por isso, o obstetra considera que a oxitocina tem uma "posição de liderança" nesse "quarteto da felicidade": "É um composto cerebral importante na construção da confiança, que é necessária para desenvolver relacionamentos emocionais."

Abraçar é uma forma simples de se conseguir um aumento da oxitocina. Dar ou receber um presente é um outro exemplo.

Breuning, da Universidade da Califórnia, também aconselha construir relações de confiança, dando "pequenos passos" e "negociando expectativas" para que ambas as partes possam concretizar o vínculo emocional.

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Ao longo dos séculos, artistas e pensadores se dedicaram a definir e representar a felicidade. Nas últimas décadas, porém, grupos menos românticos se juntaram a essa difícil tarefa: endocrinologistas e neurocientistas.

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Ou seja, eles não se importam se as pessoas são mais felizes por amor ou dinheiro, mas o que acontece no corpo quando a alegria efetivamente dispara, e como "forçar" esse sentimento.

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Neste sentido, há quatro substâncias químicas naturais em nossos corpos geralmente definidas como o "quarteto da felicidade": endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina.

A pesquisadora Loretta Breuning, autora do livro Habits of a happy brain ("Hábitos de um cérebro feliz", em tradução livre), explica que "quando o seu cérebro emite uma dessas químicas, você se sente bem".

"Seria bom que surgissem o tempo todo, mas não funcionam assim", diz a professora da Universidade Estadual da Califórnia (EUA).

"Cada substância da felicidade tem um trabalho especial para fazer e se apaga assim que o trabalho é feito."

Conheça a seguir maneiras simples para ativar essas quatro substâncias químicas da felicidade, sem drogas ou substâncias nocivas.

1. Endorfinas

As endorfinas são consideradas a morfina do corpo, uma espécie de analgésico natural.

Descoberta há 40 anos, as endorfinas são uma "breve euforia que mascara a dor física", classifica Breuning.

Por isso, comer alimentos picantes é uma das maneiras de liberar esses opiáceos naturais, o que induz uma sensação de felicidade. Mas essa não é a única maneira de obter uma "injeção" de endorfina.

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De acordo com estudo publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra), assistir a filmes tristes também eleva os níveis da substância.

"Aqueles que tiveram maior resposta emocional também registraram maior aumento na resistência a dores e sentimento de unidade em grupo", disse à BBC Robin Dunbar, professor de Psicologia Evolutiva e autor do estudo.

Dançar, cantar e trabalhar em equipe também são atividades que melhoram, por meio de um aumento nas endorfinas, a união social e tolerância à dor, afirma Dunbar.

2. Serotonina

Como a serotonina flui quando você se sente importante, o sentimento de solidão e até mesmo a depressão são respostas químicas à sua ausência.

"Nas últimas quatro décadas, a questão de como manipular o sistema serotoninérgico com drogas tem sido uma importante área de pesquisa em biologia psiquiátrica e esses estudos têm levado a avanços no tratamento da depressão", escreveu em 2007 Simon Young, editor-chefe na revista Psiquiatria e Neurociência.

Dez anos mais tarde, a depressão se situa como a principal causa principal de invalidez em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de transtorno mental que afeta mais de 300 milhões de pessoas.

A estratégia mais simples para elevar o nível de serotonina é recordar momentos felizes, diz Alex Korb, neurocientista do site Psicologia Hoje.

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Um sintoma da depressão é esquecer situações felizes. Por isso, acrescenta Korb, olhar fotos antigas ou conversar com um amigo pode ajudar a refrescar a memória.

O neurocientista descreve três outras maneiras: tomar sol, receber massagens e praticar exercícios aeróbicos, como corrida e ciclismo.

3. Dopamina

A dopamina é costuma ser descrita como responsável por sentimentos como amor e luxúria, mas também já foi tachada de ser viciante. Daí sua descrição como "mediadora do prazer".

"Baixos níveis de dopamina fazem que pessoas e outros animais sejam menos propensos a trabalhar para um propósito", afirmou John Salamone, professor de Psicologia na Universidade de Connecticut (EUA), em estudo sobre efeitos da dopamina no cérebro publicado em 2012 na revista Neuron.

Por isso, acrescentou o pesquisador, a dopamina "tem mais a ver com motivação e relação custo-benefício do que com o próprio prazer."

O certo é que essa substância química é acionada quando se dá o primeiro passo rumo a um objetivo e também quando a meta é cumprida.

Além disso, pode ser gerada por um fato da vida cotidiana (por exemplo, encontrar uma vaga livre para estacionar o carro) ou algo mais excepcional (como receber uma promoção no trabalho).

A melhor maneira de elevar a dopamina, portanto, é definir metas de curto prazo ou dividir objetivos de longo prazo em metas mais rápidas. E celebrar quando atingi-las.

4. Oxitocina

Por ser relacionada com o desenvolvimento de comportamentos e vícios maternos, a oxitocina é muitas vezes apelidada de "hormônio dos vínculos emocionais" e "hormônio do abraço".

Segundo estudo publicado em 2011 pelo ginecologista e obstetra indiano Navneet Magon, "a ligação social é essencial para a sobrevivência da espécie (humanos e alguns animais), uma vez que favorece a reprodução, proteção contra predadores e mudanças ambientais, além de promover o desenvolvimento do cérebro."

"A exclusão do grupo produz transtornos físicos e mentais no indivíduo, e, eventualmente, leva à morte", acrescenta.

or isso, o obstetra considera que a oxitocina tem uma "posição de liderança" nesse "quarteto da felicidade": "É um composto cerebral importante na construção da confiança, que é necessária para desenvolver relacionamentos emocionais."

Abraçar é uma forma simples de se conseguir um aumento da oxitocina. Dar ou receber um presente é um outro exemplo.

Breuning, da Universidade da Califórnia, também aconselha construir relações de confiança, dando "pequenos passos" e "negociando expectativas" para que ambas as partes possam concretizar o vínculo emocional.

 

http://www.bbc.com/portuguese/geral-39299792

03 fevereiro 2017

Estudo da USP aponta hipotireoidismo em 57% das mulheres grávidas

Doença pode levar a aborto natural ou afetar desenvolvimento da criança.
Nem todas as mulheres apresentam sintomas; veja como detectar disfunção.

Um estudo da USP de Ribeirão Preto (SP) aponta que 57% das mulheres grávidas desenvolvem o hipotireoidismo, doença causada pela baixa produção de hormônios responsáveis por funções metabólicas essenciais como frequência cardíaca e digestão.

Reconhecida através de sintomas como sono e ganho de peso excessivos, nem sempre manifestados nas pacientes, a disfunção é associada não só a problemas na gravidez, como aborto e descolamento de placenta, mas também a prejuízos futuros à criança.

"Aumenta a chance de o bebê ser pequeno, ter uma restrição de crescimento, aumenta a chance de o bebê ter um atraso no desenvolvimento neurológico dele ao longo da infância. É uma condição que preocupa por causa dessas consequências e ao mesmo tempo é fácil de diagnosticar e fácil de fazer o tratamento", afirma a médica obstetra Flávia Aguiar.

       “O iodo é importante na síntese dos hormônios tiroidianos maternos, porque esse hormônio passa pela barreira placentária e o feto precisa desse hormônio para o desenvolvimento das estruturas cerebrais já na vida intrauterina"

Lea Maciel,
endocrinologista

Hipotireoidismo e gravidez


Localizada na região do pescoço, a tireoide é uma glândula responsável pela produção de dois hormônios - a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4) - essenciais para o metabolismo e ainda mais importantes na gestação.

Nesse período, a gestante precisa de uma dosagem diária de 250 microgramas de iodo - micronutriente necessário para a síntese desses hormônios -, 100 a mais do que em uma mulher que não está grávida.

Essa diferença, porém, não pode ser compensada apenas por intermédio da alimentação, explica a endocrinologista da USP Lea Maciel. Ao avaliar 191 gestantes atendidas em unidades básicas de saúde, ela constatou que 57% delas têm menos iodo do que o necessário, levando a uma produção deficiente dos hormônios T3 e T4, o hipotireoidismo - diferente do excesso, denominado hipertireoidismo.

"O iodo é importante na síntese dos hormônios tiroidianos maternos, porque esse hormônio passa pela barreira placentária e o feto precisa desse hormônio para o desenvolvimento das estruturas cerebrais já na vida intrauterina", explica.

Diagnóstico


Foi através do sono em excesso e do rápido ganho de peso que Elizabeth Jaskow Mac Micol descobriu ter hipotireoidismo nas duas vezes em que ficou grávida.

"Não tinha vontade de fazer nada, só queria ficar deitada. A coisa não estava do jeito que deveria estar, estava fora do normal", afirma a mãe de um filho de 2 anos e outro de dois meses, que somente conseguiu solucionar o problema por meio de reposição hormonal.

O que Elizabeth sentiu quando esteve grávida representa parte dos sintomas comuns às mulheres que sofrem da baixa produção de T3 e T4.  Indisposição, queda de cabelo, alteração na frequência cardíaca, ressecamento na pele e no cabelo também fazem parte das evidências.

Entretanto, nem todas as pacientes com a disfunção hormonal apresentam tais sintomas, explica a obstetra Flávia Aguiar. "Algumas mulheres não têm sintomas. Aquelas que têm alterações discretas nos níveis dos hormônios têm o que a gente chama de hipotireoidismo subclínico. O diagnóstico vai ser feito baseado somente na alteração dos níveis hormonais", afirma.

A solução, de acordo com especialistas, está no acompanhamento médico pré-natal e no exame de sangue, que vai apontar se o nível hormonal está adequado. A avaliação é primordial sobretudo para gestantes com mais de 30 anos, com histórico familiar de hipotireoidismo, diabéticas ou com outras doenças autoimunes, mulheres que passaram por abortos ou partos prematuros, entre outros casos apontados de alto risco.

"É muito importante fazer esse diagnóstico. Quando os níveis de hormônios tiroidianos são normalizados, a gestação transcorre normalmente, o bebê tem o desenvolvimento adequado, ela pode ter parto normal, pode amamentar. Se há um hipotireoidismo não diagnosticado ou que não se consegue um bom controle, pode realmente haver uma repercussão pra mãe e para o bebê", alerta a obstetra.

 

 

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2017/02/estudo-da-usp-aponta-hipotireoidismo-em-57-das-mulheres-gravidas.html

Composto interrompe produção de proteína ligada ao Alzheimer

Experimentos com camundongos e macacos têm resultados promissores

Em condições normais, a proteína tau ajuda a manter a estabilidade dos axônios, as longas estruturas tubulares que ligam uma das extremidades de um neurônio a outros e por onde ele transmite seus sinais. Em algumas pessoas, no entanto, estas células cerebrais começam a fabricar versões defeituosas da proteína, que vão se acumulando em emaranhados em seu interior e acabam por danificá-la, levando à morte os próprios neurônios que ela deveria ajudar proteger, no que é considerado dos primeiros marcadores biológicos do desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer.

Diante disso, cientistas acreditam que, se puderem controlar a produção da proteína, talvez seja possível barrar ou mesmo reverter estes danos, abrindo um novo caminho para o tratamento destas chamadas taupatias. E é justamente isso que fizeram pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Washington em St. Louis, no estado americano do Missouri. Usando uma nova abordagem que emprega moléculas conhecidas como oligonucleotídeos antissentido, eles conseguiram reduzir a fabricação da tau, e consequentemente a formação de seus emaranhados no interior dos neurônios, nos cérebros de camundongos geneticamente modificados para produzirem versões defeituosas da proteína humana, assim como diminuir os níveis da proteína no sistema nervoso de macacos em um teste subsequente.

- Demonstramos que esta molécula reduz os níveis da proteína tau, prevenindo e, em alguns casos, revertendo os danos neurológicos – destaca Timothy Miller, professor de neurologia na universidade americana e autor sênior de artigo sobre os experimentos, publicado nesta quarta-feira no periódico científico “Science Translational Medicine”. - Este composto é o primeiro que mostrou ser capaz de reverter danos relacionados à tau no cérebro que também tem o potencial de ser usado como uma terapia em pessoas.

Bastidores de um problema

Entenda como as doenças neurodegenerativas afetam o cérebro


Os oligonucleotídeos antissentido funcionam ao interferirem na transmissão de informações para a produção de proteínas pelas células. No processo normal, as instruções para montagem das proteínas contidas no DNA, o material genético no núcleo celular, é transcrita em uma molécula mensageira chamada RNA, que então segue para os ribossomas, as fábricas de proteínas das células, com a “receita” para sua produção. Os oligonucleotídeos antissentido, no entanto, podem ser construídos para se unirem a este RNA e marcá-lo pra destruição antes que chegue aos ribossomas, impedindo assim que as proteínas sejam fabricadas.

Como podem ser desenhados para se ligarem a qualquer “receita” de proteína, os oligonucleotídeos antissentido podem ser usados para atrapalhar a produção de qualquer uma delas. Recentemente, a Administração para Alimentos e Drogas dos EUA (FDA) aprovou o uso destas moléculas para o tratamento de duas doenças neuromusculares, a distrofia muscular de Duchenne e a atrofia muscular espinhal, e estão atualmente em curso ensaios clínicos para seu uso terapêutico contra outros males neurológicos, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a doença de Huntington.

No experimento da Universidade Washington, os cientistas administraram uma dose de oligonucleotídeos anti-tau nos camundongos geneticamente modificados quando eles estavam com nove meses de idade, época em que os emaranhados da proteína já começaram a danificar seus neurônios, diariamente durante um mês. Quando os animais estavam com 12 meses, os pesquisadores mediram as quantidades de RNA mensageiro da tau, a concentração total da proteína e a presença dos emaranhados em seus cérebros, verificando que elas eram todas significativamente inferiores às verificadas nos camundongos do grupo de controle, tratados com um placebo. Além disso, os níveis totais de tau e a quantidade de emaranhados dos animais tratados eram menores do que os vistos aos nove meses nos camundongos não tratados, o que sugere que o tratamento não só interrompeu como reverteu o acúmulo das proteínas defeituosas.

Os benefícios da terapia com os oligonucleotídeos nos camundongos, no entanto, não pararam por aí. Ao chegarem aos nove meses de idade, esta linhagem de animais geneticamente modificados também já apresenta um visível encolhimento de seu hipocampo, região do cérebro diretamente ligada à formação de memórias, com a progressiva morte neuronal. E embora não tenha sido capaz de reverter estes processos, o tratamento com o composto conseguiu ao menos interrompê-los. Por fim, os camundongos tratados viveram, em média, 36 dias a mais do que os que não receberam os oligonucleotídeos, além de demonstrarem uma melhor capacidade de construir ninhos que os do grupo de controle, o que reflete uma combinação de comportamentos sociais, desempenho cognitivo e capacidades motoras também melhores, funções largamente prejudicadas em pessoas que sofrem com o mal de Alzheimer e outras taupatias.

Animados com os bons resultados nos experimentos com camundongos, os cientistas decidiram então ver se o composto também funcionava em animais mais parecidos com os seres humanos. Para isso, eles trataram grupos de macacos-cinomolgos (Macaca fascicularis) saudáveis, injetando duas doses dos oligonucleotídeos, ou de um placebo, diretamente no fluído cerebrospinal com uma semana de intervalo entre elas, simulando o que poderia ser o protocolo de um tratamento de pacientes humanos. Duas semanas depois, eles mediram a quantidade de proteína tau e seu RNA mensageiro tanto neste líquido, também chamado de cefalorraquidiano ou líquor, quanto no cérebro dos animais, verificando reduções dos níveis nem ambos.

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- O estudo com os macacos nos mostrou a queda da tau no fluído cerebrospinal se correlaciona com menores níveis no cérebro – conta Miller. - Isto é importante porque, se formos avaliar esta abordagem clínica em pessoas, não há uma maneira não invasiva de medir os níveis de tau no cérebro. Assim, esta correlação nos permite usar os níveis da tau no fluído cerebrospinal como um indicativo dos níveis da tau no cérebro.

Miller lembra ainda que altas concentrações da tau não estão associadas apenas ao mal de Alzheimer, mas também a uma série de doenças neurodegenerativas menos conhecidas, como paralisia supranuclear progressiva e degeneração corticobasal, que por isso também poderiam ser tratadas com os oligonucleotídeos anti-tau. Além disso, o composto poderia ser usado como um tipo de profilaxia nos casos de ferimentos traumáticos do cérebro, que também provocam um aumento na produção da proteína e podem levar a demências.

- Os emaranhados de tau estão correlacionados a perdas cognitivas em diversas doenças – destaca. - Esta é uma nova e promissora abordagem para reduzir os níveis de tau, mas ainda temos que testar se ela é segura para pessoas e se ela de fato diminui as concentrações nelas, como foi desenhada para fazer, antes de experimentarmos se ela tem qualquer efeito sobre doenças. Mas tudo que vimos até agora diz que vale a pena investigá-la como um potencial tratamento para pessoas.

 

 

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/composto-interrompe-producao-de-proteina-ligada-ao-alzheimer-20826891