10 novembro 2015

POLIDRÂMNIO

É o aumento excessivo do volume do líquido amniótico, classicamente considerado quando superior a 2.000 ml. Sua frequência é ao redor de 1% e sua importância se deve ao aumento da morbidade e mortalidade perinatais.

 

Alterações do Volume do Líquido Amniótico

 

    • Aumento acima 95% percentil para idade gestacional
    • Aumento acima 97,5% percentil para IG
    • Volume superior a 2.000 ml
    • Incidência: 0,4 e 1,5% das gestações

 

ETIOLOGIA:

 

Malformação Fetal (50%)

  • SNC: Anencefalia, mielomeningocele, hidrocefalia.
  • TGI (Trato Gastro Intestinal): atresia do esôfago, hérnia diafragmática, estenose do duodeno, pâncreas anular, gastrosquise, onfalocele, fenda palatina.
  • Respiratório: MAC (malformação adenomatóide cística congênita), hipoplasia palatina.
  • Urinárias: doença multicística, tumores renais.
  • Cardíacas: doenças valvares, arritmias cardíacas.
  • Musculoesqueléticas: displasias esqueléticas.

 

Outras Causas Fetais

- Doença Hemolítica Perinatal (DHPN);

- Infecções;

- Hidropisia Não-Imune.

 

Maternas:

  • Diabetes;
  • Aloimunização Rh - Consiste na sensibilização ao antígeno D presente na superfície eritrocitária. Durante a gestação e parto, pequenas quantidades de hemácias fetais podem atingir a circulação materna.

 

Patologias placentárias: Síndrome do transfusor transfundido, corioangioma, placenta circunvalada (não é uma patologia de malformação placentária e sim de inserção da membrana que leva a uma produção aumentada de LA).

 

Idiopática -  (34-63% dos casos)

 

 

CLASSIFICAÇÃO:

 

Quanto ao volume: leve, moderada, acentuada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto à instalação: aguda e crônica

Aguda: aparecimento rápido (menos que 24h ou poucos dias), mais frequente antes da 24ª sem.

Crônica: desenvolvimento no decorrer da prenhez, mais frequente no terceiro trimestre.

 

DIAGNÓSTICO:

 

O diagnóstico da polidramnia é suspeitado clinicamente:

    • Aumento da altura uterina em relação à idade gestacional;
    • Aumento do ganho ponderal materno;
    • Sobredistensão uterina e dificuldade de palpação das partes fetais e de ausculta dos BCF.
    • Sistematicamente, devem ser pesquisados o Diabetes mellitus e a presença de malformações fetais.
    • De certeza, o diagnóstico é ultra-sonográfico, dado pelo achado do ILA maior que o percentil 95 para a idade gestacional considerada.

 

CONDUTA:

 – Investigar infecções congênitas:

    • Toxoplasmose;
    • Rubéola;
    • Citomegalovírus;
    • Varicela (catapora);
    • Parvovírus B19;
    • HIV (AIDS);
    • Sífilis;
    • Herpes;
    • Hepatite B.

 

- Rastrear diabetes mellitus;

- TS e Teste de Coombs;

- USG morfológico;

Para executar esse segundo método, são feitas algumas medidas dos "bolsões" de líquido em alguns quadrantes determinados no útero, sobretudo o maior bolsão. A soma dos valores determina os padrões que definem o ILA. Assim, os possíveis resultados são:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Ecocardiográfica fetal;

- Estudo citogenetico fetal;

- Teste de kleihauer.

O volume de líquido amniótico aumente no decorre da gestação, e costuma chegar à sua quantidade máxima por volta das 34 semanas em torno de 800 ml e 1 litro, após ele período o volume tende a diminui gradativamente até o nascimento. Quando há indícios de polidrâmnio, esse volume pode chegar a até 3 litros.

Se houver sinais de desconforto materno o esvaziamento deverá ser realizado. O esvaziamento é feito pela amniocentese e através de agulha calibrosa e inserção de cateter ligado a frasco a vácuo.

Recomenda-se a retirada lenta e gradual do líquido amniótico, para evitar a descompressão brusca, podendo levar a riscos maternos e fetais (descolamento prematuro da placenta, choque materno, óbito fetal, etc.). Sugere-se a retirada de cerca de 200 ml/hora (ou cerca de 3 ml/minuto) até a melhora da sintomatologia respiratória materna ou até atingir um total máximo de 500 a 1000 ml. O polidrâmnio volta a se formar e excepcionalmente nova punção pode ser realizada.

No sentido de diminuir a formação de líquido amniótico pode-se empregar o uso drogas medicamentosas, cuja função é diminuir a função renal fetal, não devendo ultrapassar a 34ª semana. Tais cuidados são necessários para evitar complicações temidas do uso de medicamentos na gestação, que é o fechamento precoce do duto arterioso.

Para o parto é recomendável o prévio esvaziamento. Muitas vezes surge quadro de hipossistolia, o que pode ser corrigido com ocitócicos. A via de parto é escolhida de acordo com a indicação obstétrica.

 

Tratamento de acordo com a etiologia

 

  • Corrigir causas maternas;
  • Corrigir causas fetais;
  • Controle do peso materno;
  • Controle altura uterina;
  • Controle circunferência abdominal;
  • Obsevar edema materno;
  • Repouso relativo;
  • Dieta hiperprotéica.

 

COMPLICAÇÕES:

 

    • Dispnéia materna;
    • TPP - Trabalho de parto prematuro;
    • RPM - Rotura prematura das membranas;
    • DPP - Descolamento prematuro de placenta;
    • Prolapso de cordão.

 

 

 

 

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