27 outubro 2015

GLOMERULONEFRITE


São afecções que acometem o glomérulo, estrutura microscópica do rim formada por um emaranhado de capilares e que é a principal estrutura renal responsável pela filtração do sangue.




Cada rim possui um milhão de néfrons. Essas unidades microscópicas são as responsáveis pela filtragem do sangue e pelas substâncias produzidas nos rins. Cada néfron é composto de um glomérulo e seu respectivo túbulo renal.


Funcionamento do rim:





O sangue que chega ao rins, passa obrigatoriamente pelos glomérulos, um conjunto de microscópicos capilares enovelados que possuem uma membrana filtradora na sua parede. O glomérulo é o verdadeiro filtro do organismo.

O sangue chega por uma arteríola (uma artéria microscópica), passa por vários capilares dentro do glomérulo, sofre o processo de filtração e depois retorna a corrente sanguínea. Tudo o que foi filtrado pelos capilares vai em direção ao túbulo renal. No túbulo renal, algumas importantes substâncias filtradas como glicose, sódio, potássio, cálcio etc... serão reabsorvidas de acordo com as necessidades do organismo antes da urina estar pronta. Só sai na urina o que não é necessário ou está em excesso.

Podemos dizer que o glomérulo separa o que vai para a urina e o que volta para o sangue, enquanto que os túbulos definem o quanto de cada substância filtrada vai realmente sair na urina. Por exemplo, se tivermos com o potássio baixo no sangue, o túbulo vai reabsorver todo o potássio que for filtrado impedindo que este saia na urina. Se o potássio estiver alto, ele não vai reabsorver nada.

Substâncias grandes, como as proteínas, não são filtradas por serem maiores que os poros da membrana glomerular. Elas nem chegam ao túbulo. Por isso, uma urina normal quase não tem proteínas em seu conteúdo.

O processo final da filtração glomerular e reabsorção tubular destes 1 milhão de néfrons é que forma a nossa urina.







Portanto, como é o glomérulo o principal responsável pela filtração do sangue, qualquer doença que o acometa, afeta a função dos nossos rins.

Existem 2 tipos básicos de lesão dos glomérulos:

  •  Síndrome nefrítica ou glomerulonefrite;
  •  Síndrome nefrótica.


Na síndrome nefrítica, um processo inflamatório causa lesão e reduz a capacidade do glomérulo de filtrar o sangue, causando um quadro de insuficiência renal aguda, hipertensão e sangue na urina.

Na síndrome nefrótica o mais comum é lesão na membrana glomerular sem inflamação evidente. Podemos fazer a analogia com coador furado. As proteínas que normalmente não são filtradas, quando há lesões na membrana do glomérulos, "vazam" em direção ao túbulos e são indevidamente eliminadas na urina. Por isso, perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria, é um sinal de doença glomerular. Na verdade, a proteinúria é sinal de doença, mas também é responsável pela progressão da mesma. Os túbulos não estão preparados para receber proteínas e, na tentativa de reabsorvê-las de volta ao sangue, suas células acabam sofrendo lesão.

Portanto, em um primeiro momento a proteinúria nos mostra que há algo de errado no rim. Se não tratada, ela passa a ser mais um fator de agressão e evolução para insuficiência renal.

Não é incomum encontrarmos síndrome nefrótica e síndrome nefrítica ao mesmo tempo, basta que haja lesões na membrana glomerular e intensa atividade inflamatória no glomérulo.

Causas:

As doenças glomerulares são consequência de uma ampla variedade de fatores: distúrbios imunológicos, doenças vasculares, doenças metabólicas e algumas entidades hereditárias. As glomerulopatias que aparecem isoladamente são classificadas como primárias, e quando estão associadas a doenças sistêmicas (lupus, diabetes ou outras) são classificadas como secundárias.

Quadro Clínico:

  • Proteinúria,
  • Hematúria,
  • Queda da filtração glomerular,
  • Retenção de sódio e hipertensão.

Dependendo da intensidade e do tipo da agressão, pode haver predomínio de um sinal sobre outro, dando origem a diferentes apresentações clínicas: síndrome nefrítica, síndrome nefrótica, não-nefrítica e não-nefrótica.

A síndrome nefrítica é definida como o aparecimento de edema, hipertensão arterial e hematúria (geralmente macroscópica).

Síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria de 24 horas maior que 3,5 gramas em adultos ou 50 mg/kg em crianças, edema, hipoalbuminemia e hipercolesterolemia.
Na apresentação não-nefrítica e não-nefrótica são classificados aqueles casos que não se encaixam nas classificações descritas anteriormente.

Tratamento:

Alguns indivíduos com glomerulonefrite são tratados com plasmaférese, um procedimento de limpeza que remove os anticorpos irritantes do sangue. Pacientes com a doença de membrana glomerular de Goodpasture podem se beneficiar de medicamentos que suprimem a função imunológica. Outras pessoas também tratam com corticosteroides.

Tratamentos adicionais

Os indivíduos que sofrem de insuficiência renal podem necessitar de diálise (filtragem artificial dos resíduos nos rins) ou transplante renal.


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